Citação 16 fev. 5 notas

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O poeta não é um ‘pequeno deus’. Não, não é um ‘pequeno deus’. Não está marcado por um destino cabalístico superior ao de quem exerce outros ofícios. Sempre digo que o melhor poeta é o homem que nos entrega o pão de cada dia: o padeiro mais próximo, que não se crê deus. Ele cumpre seu majestoso e humilde trabalho de amassar, meter no forno, dourar e entregar o pão de cada dia, como uma obrigação comunitária. E se o poeta chega a alcançar essa simples consciência, poderá também a simples consciência converter-se em parte de uma artesania colossal, de uma construção simples ou complicada, que é a construção da sociedade, a transformação das condições que rodeiam o homem, a entrega da mercadoria: pão, verdade, vinho, sonhos. Se o poeta se incorpora a essa nunca gasta luta por consignar cada um em mãos dos outros sua ração de compromisso, sua dedicação e ternura ao trabalho comum de cada dia e de todos os homens, o poeta tomará parte no suor, no pão, no vinho, no sonho da humanidade inteira. Só por esse caminho inalienável de ser homem comum chegaremos a restituir à poesia o amplo espaço que lhe vão retirando em cada época, que lhe vamos retirando em cada época nós mesmos.

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Pablo Neruda


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