pois

não faço a poesia para traduzir a vida;

elaborar concretos legíveis
para solucionar a vida num trecho, não.
mas para estendê-la em varal pautado
mesmo em dias como o de hoje,
deixar que sinta o frio, a chuva e a ventania,
encharcá-la fora de mim.


Joana Paula Oliveira, dinastia-omega

Nós, crianças, temos sede de verdade… então criamos

d’ cometacavalo

"Fui à biblioteca e tentei encontrar livros sobre o que fazia com que as pessoas se sentissem do jeito que eu estava me sentindo, mas os livros não estavam lá, ou, se estavam, eu não podia compreendê-los. Ir até a biblioteca não era nada fácil: todos pareciam tão confortáveis, os bibliotecários, os leitores, todos menos eu."

Charles Bukowski,  Ao Sul de Lugar Nenhum   (via nadacomum)

(Fonte: racionador, via nadacomum)

verso a fluir 
em correnteza
certeza abaixo

verso a fluir
em correnteza
certeza abaixo

Tags: sinais

Paebiru , Lula Cortês , Zé Ramalho et al.

via afastemsevacas

( pra entender a pérola: Resenha do grande Idelber , relato do não menor Cristiano )

Tags: musica

"¿Pero qué es la historia de América toda sino una crónica de lo real-maravilloso?"

Alejo Carpentier, El reino de este mundo

via otroblog

Tags: america

Tags: sinais

Gonzalo Molinero ( gfmolinero )

via ehreditario

Gonzalo Molinero ( gfmolinero )

via ehreditario

Tags: art

Dependente 

química
fisica
psicológica

reabilitação
existiria?
não

ressurreição.

J.S.vozesdamente

Tags: poesia

arte cura alma

via betharr

arte cura alma

via betharr

Tags: arte cura alma

lugar porvir

da ubiquidade dos versos:

rejeitam isso de que somente o passado
nos permite acesso epistemológico -
transportam em si
o fardo de serem a exata resposta
à pergunta ainda não feita,
se o tempo é o espaço
e cada segundo um lugar diferente.

Joana Paula Oliveira dinastia-omega )

Tags: poesia

em mim

eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas

o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós

Leminski

via farfallamaerulav



 

conto-te estes dias, agora que o tempo me é largo e em cada canto das horas se pode erguer uma vida que eu não soubesse ser minha. uma vida inteira, toda, marcada por um beijo, um olhar ou outros raros gestos de magia. quero esquecer-me de dons e de talentos, deixar-me romper pela luz, por sombras escolhidas como facas que o destino me aponta, para me exigir uma outra respiração se me cobre de cinzas, se me amortalha na areia movediça do já não saber, do já não querer. ligo-me a outras máquinas livres de tempo, ciente de que perdi a minha mortalidade desde que a vida apenas me deu a berma de si própria. cosido ao chão de cidades sem nome com linhas duma dor antiga, cerzido de desespero à pedra das ruas, trapo caído, abandonado, parido por mãos rotas. todas as noites uma rua, dum lado o corpo, do outro a alma, no meio o nada.

 

minto-me nos quando e nos porquês, nos onde. infecto-me dessa verdade sem boca nem corpo. grito, eu grito por se me rasgar a pele como se um comboio-tesoura a atravessasse velozmente, no deserto do meu peito, dum lugar a outro, sítios vazios, sem paragem, deixando rastos como rios, rios de feridas correndo o meu corpo, alagando-o de veneno, comprimido, só à espera de explodir num poema, ou numa só palavra, numa definitiva palavra capaz de despertar catatónicos, de fundir consciências, ou de fazer escorrer pela primeira frecha de ternura esses olhares contidos.

 

porque a mim o tempo não me conhece e rasga-me, e lavra-me o corpo como se fosse terra já morta, campo de mais nenhuma semente, passando sem passar, deixando-me nos olhos a geometria do silêncio, as linhas rectas como espetos que são as esquinas das minhas ruas, que me trespassam dia após dia, neste embalo de álcool mal destilado, de neblinas que cegam como um falso amigo.

 

o frio é um tempo sem portas, um espaço de não conter, nem aberto nem fechado, um pulmão de desespero que se respira a si próprio, cravado na grande praça do coração. nu, eu estou tão nu. nem a mortalha dum país, duma cidade, duma casa, ou de um ser. definitivamente nu, errando no lombo de vielas, trapos de geografia, onde me engano de ser o meu lugar. minha montada, as vielas; meus passos, os moinhos.

via esferacontemplada

Tags: literatura