Pescaria

Cochilo. Na linha.

eu ponho a isca de um sonho.

Pesco uma estrelinha.

Guilherme de Almeida

via seguindoborboletasazuis

"No meu sonho, aquela era a língua do que é, e tudo o que fosse falado nela se tornava realidade, porque nada dito com ela pode ser mentira. A língua é o fundamento da construção de tudo. Nos meus sonhos, eu usei esse idioma para curar os doentes e para voar; uma vez sonhei que tinha uma pequena pousada à beira mar, e para todo mundo que se hospedava lá eu dizia, naquela língua, “sê inteiro”, e eles se tornavam inteiros, e não pessoas fragmentadas, não mais, porque eu havia falado a língua da criação."

Neil Gaiman, O oceano no fim do caminho

via mayaraviana

Tags: literatura

"Para aqueles que podem ver, a existência se passa num rolo de imagens que se desdobra continuamente, imagens capturadas pela visão e realçadas ou moderadas pelos outros sentidos, imagens cujo significado (ou suposição de significado) varia constantemente, configurando uma linguagem feita de
imagens traduzidas em palavras e de palavras traduzidas em imagens, por meio das quais tentamos abarcar e compreender nossa existência. As imagens que formam nosso mundo são símbolos, sinais, mensagens e alegorias. Ou talvez sejam apenas presenças vazias que completamos com o nosso desejo,
experiência, questionamento e remorso. Qualquer que seja o caso, as imagens , assim como as palavras, são a matéria de que somos feitos"

Alberto Manguel, Lendo imagens: uma História de Amor e Ódio

Tags: sinais

Às vezes é  possível,  ao  que  parece.  Alguns, erguidas as velas, foram ao improvável   e  voltaram  com  notícias:  “a palavra lento se diz rápido”. Para nós, este descobrimento se deu meio que ao modo de um susto. E encontraram esta frase, assim, largada no meio da linguagem. Nós achamos a frase plausível. Ela era uma frase. Até porque a estatura da lentidão não é ao ponto de caber dentro de uma lesma? E acontece que um cágado – eu vi –, para se fortalecer, se diminui. E não se sabe o escuro que faz dentro. “A palavra lento se diz rápido” – aí depois é que entra a palavra silêncio, com mil sílabas. Por exemplo  tenhamos em mente o vaga-lume:  o vaga-lume pisca sua uma vez:  lús-fús:  faz seu intervalo  na paisagem:  o vaga-lume  circunscreve-se – e às vezes ele não sustenta no ombro a memória de uma noite inteira? Acontece destes conformes. Pablo que descobriu simples essa frase no chão, bosteada, sem valor de mercado, corrompida ao ponto do esterco – “A palavra lento se diz rápido”. Este mundo mesmo é ou não é cheio de gente e de antíteses? Pablo escreve  longo e  curto; às vezes  lento  rapidamente e às vezes rápido lenteado. Faz anotações. Dentre o que escreve estão Universos. Pequenos. O twitter, talvez, os desprezaria. Pequenos. Os universos de Pablo não se comportam, regular, em 140 caracteres. O universo é pequeno. Há aquela história de que os menores serão os maiores – eu nada eu não sei, nem nada eu não afirmo. Sei que são pequenos. E a palavra pequeno é grande. E que o folclore científico já comprovou que uma agulha espeta mais que um elefante. É da Física isso. Pode até ser.

Alguns dos Universos de Pablo Ferro:  

universo # 02187

la palabra lento se dice rápido

universo # 198327547

no había nada que ver y lo vimos

universo # 99922

en la oscuro cada sombra hace la diferencia

universo # 2878455

errar es posible si algo funciona

universo # 1982

sed que no has de beber, déjala correr 

universo # 439849384903489906950690596506950695605948778595478859

sombra de la espina de la rosa también pincha

universo # 09155438

el freno al viento lo pone el viento

universo # 298908943048598408594

con exactitud no vamos a ningún lado

universo # 434902

ser es parecer ser, me parece

universo# 44888

Burguer King regala smartphones, está nevando

universo # 44

tenemos una distancia en común

universo # 7

verdad tiene dedos cortos  

universo # 229854

aquí rige la ley del último esfuerzo

universo # 111043

la debilidad de dios es su omnipotencia

universo # 2220931118954

experiencia de ser sin ser hace a la realidad ser

universo # 2892892

dilatación inminente del instante

universo # 0009219893333324324343224

nesse momento: crisântemo

Para mais de Pablo FerroCuadernos Tibetanos
Para mais Universos de Pablo FerroUniversos

via itsarandomtumblr

'Enough', Delawer
via furchten

'Enough', Delawer

via furchten

Tags: art

Silvio Severino

via 2headedsnake

(Fonte: cargocollective.com, via ypsilonka)

Tags: art colagem

' Los Caballeros'
© Sammy Slabbinck , 2014

' Los Caballeros'

© Sammy Slabbinck , 2014

(via vozesdamente)

Tags: art colagem

Godard, Film Socialisme

Godard, Film Socialisme

(Fonte: micropterus-salmoides)

Tags: art cinema

Preciso me Encontrar (Cartola, Candeia) - 1976.

'Dias, amanhecer em canções de Cartola' , d-amargem

(Fonte: youtube.com)

Alguns -
ou seja nem todos.
Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Sem contar a escola onde é obrigatório
e os próprios poetas
seriam talvez uns dois em mil.

Gostam -
mas também se gosta de canja de galinha,
gosta-se de galanteios e da cor azul,
gosta-se de um xale velho,
gosta-se de fazer o que se tem vontade
gosta-se de afagar um cão.

De poesia -
mas o que é isso, poesia.
Muita resposta vaga
já foi dada a essa pergunta.
Pois eu não sei e não sei e me agarro a isso
como a uma tábua de salvação.

Wislawa Szymborska

via eu-sem-poesia

Tags: poesia wislawa

As pessoas sensíveis não são capazes 
De matar galinhas 
Porém são capazes 
De comer galinhas 

O dinheiro cheira a pobre e cheira 
À roupa do seu corpo 
Aquela roupa 
Que depois da chuva secou sobre o corpo 
Porque não tinham outra 
O dinheiro cheira a pobre e cheira 
A roupa 

Que depois do suor não foi lavada 
Porque não tinham outra 

«Ganharás o pão com o suor do teu rosto» 
Assim nos foi imposto 
E não: 
«Com o suor dos outros ganharás o pão» 

Ó vendilhões do templo 
Ó construtores 
Das grandes estátuas balofas e pesadas 
Ó cheios de devoção e de proveito 

Perdoai-lhes Senhor 
Porque eles sabem o que fazem. 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘Livro Sexto’

via furchten

Tags: poesia

na pele
é onde
tudo acontece

onde
confesso
em arrepios
o que vivo

o lado de fora
da memória

janela
para cada instante

onde entro
e saio
sem me desfazer

porém
nunca sou o de antes


Geraldo de Barros

(Fonte: sobreoindizivel)

Tags: poesia

Com o tempo, 
a planta veste a muda,  verte a seiva,  espalha sua palha  em ramos,  e as raízes garimpam  enquanto as folhas dançam.  
Com o tempo,  a verdade fica verde,  subverte as pedras  e devolve  a única via possível  ao horizonte de possibilidades  em flores.

d’ cahierdujamais

Com o tempo, 

a planta veste a muda,
verte a seiva,
espalha sua palha
em ramos,
e as raízes garimpam
enquanto as folhas dançam.  

Com o tempo,
a verdade fica verde,
subverte as pedras
e devolve
a única via possível
ao horizonte de possibilidades
em flores.

d’ cahierdujamais

Tags: poesia